segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Poema das três coisas

Quando a lua está baixinha assim no céu
Amarelada como um queijo,
Dá até água na boca
Eu lembro dos fondues que a gente fazia aqui em casa
Assistindo os filmes esquisitos que a sua irmã emprestava.

Nunca vou esquecer do “ morangos silvestres”
Nós deixamos os morangos do filme e lado
E nos concentramos em outros
Longa-curta noite...

A lua está mais alta agora, bem branca
Como um pingo de tinta num papel bem escuro

E eu amo você.


É muito bom ficar assim, sem fazer nada...
Só olhando, respirando, amando...
São estas três coisas que me fazem saber que estou vivo:
A lua, a respiração e você...
Você.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Conversas pra mesa de bar (1)

Num dia frio desses...

(...)

Y: Hahaha, mulheres sempre merecem as melhores coisas
nos fazem sofrer, nos esvair em lágrimas, mas largá-las nem sempre é o melhor...

R: Nem sempre é o possível.

Y: Também... mulheres são complexas, são esfinges gregas a se decifrar com o tempo.

R: São relógios de sol... só funcionam quando está tudo bem, quando tem luz... é só uma tempestade acontecer pra que elas desistam e parem de exercer a sua função.. que é funcionar maravilhosamente, nos dar as horas e as direções, serem belas... mas são frágeis, não passam por cima dos dias chuvosos... desistem fácil... logo, é foda.

Y: Gente, que lindo. Mas é verdade... mulheres têm um magnetismo incrível e uma luz própria. Enquanto emanam esta luz, tudo é quente, bom e suave, mas ao mesmo tempo são imprevisíveis... então não há como saber como agir, ou quando irão se apagar.

R: Justamente.

Y: Bah, mas há como viver sem elas? Há como viver sem luz?

R: Justamente... impossível.

Y: Bom filosofar com você

R: Bom filosofar com você, mas temos de fazer isso numa mesa de bar.

(...)

sábado, 19 de setembro de 2009

No fundo do forro (por um escravo analfabeto)

Não quero fruir de forro
E quem há de querer?
Ser funâmbulo de corda bamba
Que não cai nem segue

Não quero viver furtivo
Ser fusco no mundo
Como o mundo
Há de ser

E o que me traz esse logro
De liberdade...
Se não a sede de voar?
As correntes invisíveis
Que me amarram...
Eu sei que ainda estão cá

E fizeram um furo em meu furor
E furtaram o último do meu fulgor
E fugiram as pressas com o meu fubá
E fizeram a morte do meu sonhar

Não! Antes ser morto do que forro!
Que ao menos na morte
Pertenço a mim.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Opus nº ?

Breve

Mas não tão breve

Quanto o tempo no qual rasga o céu

Uma estrela cadente


Breve

Mas não tão breve

Quantos os minutos congelados

Que precedem a morte


Muito breve é a vida

Este sopro no qual passam-se os dias.

Muito breve é o anoitecer

Esse piscar de olhos que precede o nascimento.


Mas não tão breve

Quanto as palavras eufóricas

Ou breve como os dias que nos trouxeram aqui

E nem tão rápido

Como todas as sensações que nos afloram a pele.


E não tão breve

Quanto o momento em que os olhos se tocam.

Pois é o profundo, largo e infinito

Silêncio....


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( Escrito durante o silêncio que se deu após a discussão da importância do mesmo. )

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Tu amanheces

Quando ele ainda está adormecido
Mas com insistência abre o céu
Pintando o azul de amarelo
E alaranjando o lençol que te cobre até os olhos

Quando o sereno ainda está flutuando, leve
E os pássaros começam a abrir as asas
E das tocas escuras saem pra cumprimentar o sol
Todas as criaturas já acordadas

Quando a terra desperta...
Eu ainda não me entreguei aos braços de Morfeu
Ele compreende que o sono não tem pressa
Se eu puder passar a noite a admirar-te

Minha deusa que agora volta das terras profundas do sonho
Ah, pra que descansar?
Eu tenho a morte toda pra isso...
Prefiro contemplar teu corpo nu estendido na cama
Que agora com o coração sorrindo,
Chamo de nossa.

Meu anseio é de caíres no sono e nunca mais acordar
De Morfeu me furar os olhos (já que estão sempre abertos)
E te levar em seus braços...
Mas tu despertas... tu amanheces...
E suspiro tranqüilo, agora sim...
Sorria e me dê um beijo
Que vou lá em baixo, preparar o nosso café.

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( Feita durante a viajem, ainda em construção... estou há muito tempo sem inspiração, mas ainda me restam algumas fagulhas, assim, construí esse rascunho.)