sexta-feira, 14 de março de 2014

The urge to the Howl

The Howl has returned from its grave
Where there’s no sense of fear love or hate


Its wings no longer beheld in chain
The blend of the thrill passion and sensations
Flows from the mind through the body
In its rain


The incessantly of the night that follows
Helds these ancient songs
For long forgotten, for long averted
Urging to come back to where it belongs


The pace of those ones whom are lost
Misbehave the rules from the ones whom think are certain
And the bird who reborns from its nescience
Can not fly until the moorings are not taken


The origins of the bonds are unknown
Only is known the blemish that it left
Neither the reason of the liberation is clear
Or if its culprits are alive or dead


There's an elan to vow with it and bow
It’s the only clue that this freedom draws so near
And no more words can be said or can be sold
Everything is paid with the blood of its debt

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Morrer-se



Difícil estar, se a alma não paira sob o mesmo ponto que o corpo.
Ela voa aborrecida e melancólica, a arrastar seus machucados, sangrar paredes.
O corpo cansado a segue, enfim, atrasado.
Ele pede "arrego", cai, dorme.
E ela permanece acordada, a olhá-lo.
E desfalecido, abandona tudo.
Não quer lembrar-se de memórias, nem render-se às
fraquezas dos sentimentos de quando se está de olhos abertos.
Ela reluta, contudo, concorda.
E assim, deita-se ao lado do corpo, também querendo apagar-se
de tudo, porque acordado, é difícil morrer-se em silêncio.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Inverno de céu



A lembrança em meu peito dorme
de ti a acalentar-me
os cabelos ao afago de teus dedos
e a boca ao afago de tua boca

E no céu como meu suspiro
aos vários pontos de quando beijo
as costas tuas a sensação fosse
pintam estrelas que meu choro guardam
da falta tua que me faz

E faz-me nua de um desejo puro
ao corpo abrir-se em pétala a se regojizar
nuca tua, alma tua, pele tua
que nos sonhos procura peito teu para repousar

E com estrelas do invernoso céu despeço-me
para enfim te reencontrar
para o abraço quente teu do frio que agora parto
sempre, hei de voltar
pois pássaro já encontrou seu ninho, sua casa, sua morada.


Mauá. 22/05/2012

sábado, 24 de setembro de 2011

Sobre a espera ( em construção )

E sentada, entre as quatro paredes sem luz, esperou, e isso é tudo. E nada mais à narrar se não isto, a espera. Não soube por quanto tempo, nem quando decidiu por ali ficar. Talvez o orgulho a tenha impedido de falar e a melancolia de levantar-se e ir. Não ia há tempos, de verdade. Quando ia, ia pela metade, a outra arrasada, ainda esperando. E sorria quando ia, pela metade da boca, o resto dos dentes podres. E quando alguma lágrima caía, fingia espirrar ou corria ao banheiro, demorava-se. A metade já não era dela há tempos, descobriu. E não adiantava então tentar ir, sem ir de verdade, porque doía, e era dolorido esconder-se. Então resolveu esperar, e isso é tudo e tudo termina por aqui. E queria aprender a escrever sem vírgulas e ponto final, pegou no papel, no piano, mas em nada tocara porque sentada ali ficou, esperando, olhando de olhos fechados pra parede ou teto do escuro quarto. Wagner, dos dois falava em seus ouvidos e tentavam fazer com que a espera doesse mais, mas passasse mais rápido. Escoava como água a vigília por um sono forçado. E parava ali, hora deitada, hora sentada, entre pausas e convulsões, e infinitudes. Doída sem a outra parte que jazia longe talvez morta por não saber existir ali dentro a outra parte. Perdeu-se a conexão, o coração desfalecia no silêncio pelos olhos caídos que esperavam uma pulsação ou sinal de vida. Por fim cansada, nada ouviu do silêncio, nenhuma resposta. Decidiu então, ou já estava e não sabia, esperar. Não sabido era se um dia voltaria, quando, se resgataria a parte que não sabia ela como veio a descolar-se, terrivelmente descolar-se sem que lhe fosse avisado ou pedido, só descobrira assim, quando havia de esperar para que voltasse. E esperava, ali, sem nada a declarar, esperava então, somente.



-----------------------------------------

A espera de término, para sempre. (?)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um poema e dois pensamentos

Para Adélia


Desde aquele dia não escrevo
Ele roubou-me a inspiração, e tudo quanto havia
Adélia me devolveu algumas palavras
Tentaram elas me livrar do tédio, agonia

Se ao menos servisse para alguma coisa
Pra trazer você pra perto de mim
Minhas palavras não têm asas
Não têm vassoura de bruxa atravessando a lua cheia sem fim

Desfaço-me das rimas
Como desfaço-me das roupas
Que não são de veludo, nem de cetim

E despida de tudo o que era antes
Deito-me (só) como mulher
Que a poetisa me ensinou a ser, enfim.


----------


Um


“Antes, os ouvidos me ouviam assim:
Dá-me licença, eu quero passar
E passava (sempre) com o nariz empinado
Sem tocar em nada, pegadas na neve

Agora, os ouvidos me ouvem assim:
Dá-me licença, eu quero amar
E amo (sempre) olhando pra baixo
Sem tocar no chão, pegadas no céu.”


----------


Dois


“Você não sabe escrever, ser poeta.
As palavras engasgam, porque os sentimentos não estão acostumados a sair.
E sentimento, meu amigo, é encalço da palavra.
Melhor assim, que só eu consigo ler as tuas poesias, que saltam dos olhos quando você fica mudo.
A tua poesia é linda, e é minha, já que só eu consigo decifrá-la.
Não se preocupe. Deixe que eu cuide dela pra você.”


----------


"O que a memória ama, fica eterno.
Te amo com a memória, imperecível."

Adélia Prado