terça-feira, 29 de abril de 2008

Poética

Estou farto do lirismo comedido
do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e
[ menifestação de apreço ao Sr. diretor


Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho
[vernaculo de um vocabulo


Abaixo os puristas


Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.


De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar
[com cem modelos de cartas e as diferentes
[maneiras de agradar às mulheres, etc.


Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare


- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.


Manuel Bandeira



Para abrir com chave de ouro, um grande poema de um grande poeta!

3 comentários:

vaca disse...

Viva MB!

Moas disse...

Nhaa! Manuel Bandeira! mto bom! aah posta aquele seu poema, sinestesia d evocê, ah maaal.. nõa tô lembrando o nome! pardon-me! anyways, Rices com blog... até tuu amore?

Bom, vê se não some! eu vou ficar acompanhando teu blog!

beeeijo!

www.alto-qi.blogspot.com

Márcio Morais disse...

R. hahahaha
botei fé...
preta, boa sorte nesta nova empreitada, não seja como eu que começa e acaba um blog por mês... rs

bjoooo