sábado, 26 de julho de 2008

Medo da morte

(Um pensamento)

Não há o medo da morte.
E sim o medo de não viver.
A vida é incerteza de estar vivo, acabrunhamento de pensar e aderir à regressão. E ainda há, quando se está vivo, o medo da morte.
A morte, porém, é doce, inócua e em seu silêncio reside a paz. É um sonho profundo que não permite ao medo bater em sua porta, pois não há a insegurança de estar vivo.
A morte é descanso, ablução de uma vida abetumada, estrada esburacada que se aplicam a todos os seres pensantes, sem exceção.
Alguns aventureiros, ainda, abancam-se na conformação e tentam trazer o medo da vida e seu próprio proveito para junto à paz póstuma. Amando a solitude do amor e sendo amado pelas dores insofríveis.
São aqueles que encontram uma bifurcação e escolhem o caminho que engambela o punimento dos “pecados” que nos foi proporcionado.
Esses, de olhos comuns, mas de visão aberrada, engolfam-se na beleza das lágrimas e no proveito que elas trazem dentro de si. Talvez o conhecimento tenha nascido do sofrimento, e até são tão parecidos nesta forma verbal.
Pois, quando se há silêncio, ele permite o pensamento; quando se há o pesar, ele permite a reflexão; e quando não há amor e fortuna, este vazio permite então ser difundido por palavras.
Tais vazios eternos e únicos, só são preenchidos pela arte, pela música, pelos poemas e pensamentos, agravam eles, cada vez mais a dor desta falta, porem, tornam-nas camufladas por entre as notas e versos.
E assim talvez tais aventureiros enxerguem um caminho alternativo
Tal que não sucumba à vida ao medo do desconhecido
Pois este torna-se conhecido, vizinho, metade.
A vida é mais aflita, e não a morte.
A vida é vivida, e a morte, dormida.
A vida é finita, a morte, infinita.

4 comentários:

Anna K. disse...

Adorei...vc escreve muito bem, Rice! Parabéns...
beijokas

ivan alves de lima disse...

adorei a sua visita e também o seu blog. vamos trocar figurinhas sim. escreva para mim ivanlimacultura@gmail.com
beijo

Saullo Cardoso disse...

Hummm...nao tenho muito oq dizer, mas nao me fale sobre a morte, nos somos imortais se quisermos ou se assim deixarmos na terra.
Conte-me sobre a vida...
Mas eu gostei, eu sempre gosto, me faz pensar me mostras muitas vezes um pouco de mim...

bjosss

Anônimo disse...

Excelente, R.L.!
Gostei muitíssimo da forma como você reflete e nos faz refletir sobre o tema.
Abraços,
Jefferson.