sábado, 23 de agosto de 2008

Sinestesia de ti

Olhe!
Estás ouvindo?
É o teu cheiro que passa pela janela e invade a casa

Olhe!
Estás sentindo?
São teus passos apressados no assoalho!

Tens pressa de quê?
Ansias a que?
Algum novo amor remunerado que te suga a avareza?
Nada disso vale a pena
Não deste jeito enamorado...
Com o Diabo!

Sinta!
Consegues ver?
É o som do tempo dando Adeus
E levando a vida consigo

Tens pressa de quê?
Não tens medo de se perder
E nesse emaranhado de coisas
Afogar-te?

Toque...
Consegues ver?
É o som de bater de asas angelicais

Anjos que vieram levar-te
Sem pressa
Sem ânsia
Ao gosto da paz
Ao cheiro de rosas
A maciez do cetim
A luz do luar
Ao canto... dos pássaros !

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Essa foi escrita em meados de 2006, vencedora de um concurso de poesias em 2007.

sábado, 26 de julho de 2008

Medo da morte

(Um pensamento)

Não há o medo da morte.
E sim o medo de não viver.
A vida é incerteza de estar vivo, acabrunhamento de pensar e aderir à regressão. E ainda há, quando se está vivo, o medo da morte.
A morte, porém, é doce, inócua e em seu silêncio reside a paz. É um sonho profundo que não permite ao medo bater em sua porta, pois não há a insegurança de estar vivo.
A morte é descanso, ablução de uma vida abetumada, estrada esburacada que se aplicam a todos os seres pensantes, sem exceção.
Alguns aventureiros, ainda, abancam-se na conformação e tentam trazer o medo da vida e seu próprio proveito para junto à paz póstuma. Amando a solitude do amor e sendo amado pelas dores insofríveis.
São aqueles que encontram uma bifurcação e escolhem o caminho que engambela o punimento dos “pecados” que nos foi proporcionado.
Esses, de olhos comuns, mas de visão aberrada, engolfam-se na beleza das lágrimas e no proveito que elas trazem dentro de si. Talvez o conhecimento tenha nascido do sofrimento, e até são tão parecidos nesta forma verbal.
Pois, quando se há silêncio, ele permite o pensamento; quando se há o pesar, ele permite a reflexão; e quando não há amor e fortuna, este vazio permite então ser difundido por palavras.
Tais vazios eternos e únicos, só são preenchidos pela arte, pela música, pelos poemas e pensamentos, agravam eles, cada vez mais a dor desta falta, porem, tornam-nas camufladas por entre as notas e versos.
E assim talvez tais aventureiros enxerguem um caminho alternativo
Tal que não sucumba à vida ao medo do desconhecido
Pois este torna-se conhecido, vizinho, metade.
A vida é mais aflita, e não a morte.
A vida é vivida, e a morte, dormida.
A vida é finita, a morte, infinita.

sábado, 21 de junho de 2008

Palavras

Se eu posso me apropriar de algo na vida
Que sejam as palavras
Pois além de não me cobrarem nada por isso
É grande a recompensa à quem faz delas o bom uso

Se eu posso me apropriar de algo na vida
Que sejam as palavras
Palavras simples, mas que ao serem ditas, tocam dentro do peito
E aprofundam a alma
Palavras que foram concedidas não só à mim
Mas que à mim, foi dado o desejo de juntá-las
Em forma de versos e poesias

Se eu posso me apropriar de palavras na vida
Que sejam reflexões
E façam, nem que seja por um minuto
(como este agora)
Alguém se lembrar que o amor ainda existe
Pois ele pode despertar em meio das mais simples frases

Que das palavras floresçam a esperança!
E que de suas sementes brotem frutos
De uma arte tão simples e profunda
Que são as palavras

R.

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- As palavras são peças do meu quebra-cabeça favorito.
E sempre que termina-se de montá-lo, a figura formada
é um presente para muitos, e pra mim, uma grande surpresa.

domingo, 11 de maio de 2008

Exigências de um lar

Vou me mudar
Desses pilares de mármore...feitos de pó!
Onde há sorrisos fingidos que tentam me acolher
Robôs empestando a casa pra me servir
Tudo aquilo que eu nem preciso ter

Vou me mudar
Pra longe dessas cortinas de negro cetim
Onde o chão comprido e encerado
Mostra meu reflexo cansado
Dos olhos onde todo sonho tem seu fim

Vou me mudar...

Quero um lugar vazio!
Pra que eu possa fazer de meu lar um abrigo

Quero um lugar frio!
Para que possamos aquecer uns aos outros

Quero um lugar escuro!
Para que ao abrirmos os olhos
Iluminemos o caminho do próximo

Quero um lugar de silencio!
Para que possamos ouvi-lo...
E quebrá-lo de uma forma singela

Quero um lugar de tristeza!
Para que cada sorriso sorrido
Seja verdadeiro

Vou me mudar...

E quero um lugar de solidão.
Para que haja verdadeiro amor
E para que cada amor que exista
Seja eterno!

domingo, 4 de maio de 2008

Expresso dos sonhos

Sou firme e sou constante
Vindo de todos os lados
Pra sempre, sou mutante.

Aderindo a qualquer luz no fim do túnel
Já que sou perguntas sem respostas...

Sou firme e sou constante
Variável como o tempo
Sim, eu sou um amante!

Passageiro definitivo
Do expresso dos sonhos...

Criando raízes a cada lugar que vou,
Dizem que sou marcante
Meu nome, imaginação!
Um boêmio errante...pensante!

Procurando o que ainda nem sei
Estou na metade do infinito
E a cada novo passo
O que procuro torna-se mais conflito
E mais bonito...

Sou firme e sou constante
Variável como o tempo
Ah, eu sou um amante!

Nas horas perdidas e vindas
Tornei-me mutante
Passageiro definitivo
No expresso dos sonhos...

R.